terça-feira, 19 de outubro de 2010

Part V

Caros amigos,

Passemos aos tópicos dos últimos dias.

1 - A minha ideia é não parar nunca, derivado ao que mandei-me para um fim de semana (o de 10 de Outubro) de viagem às Niagara Falls e 1000 Islands. A equipa era constituída por yours trully, Catarina, Thomas e (pensávamos nós, já explico mais à frente porquê) Leonor e suas 4 roomies psiquiatras espanholas. O trajecto era longo (esperavam-nos um total de 16 horas de autocarro, distribuídos por 2 dias) mas a expectativa era muita e o preço ridiculo. 8 da manhã de sabado: chegados a Chinatown - pick up dos bus - tomei conhecimento de um mercado paralelo que é o do guia turistico chinês. O guia turistico chinês é um ser com olhos em bico, sempre sorridente e preocupado com o tempo (portanto é um mix de Gabriel du Gabon e de David Sueco, num corpo de chino) e que comunica com o mundo através de um "faive minut"(5 min) - é o que mais se ouve no seu habitat - tão estridente quanto eficaz. Nem sempre fala inglês e, quando fala, nem sempre se percebe o que diz. E foram dois destes que nos levaram a "Niágá Fó". Vacinado com a experiência na Bolivia do ano passado, o medo e a preocupação assaltaram-me o espírito quando pensei que poderia levar com um porkito mal cheiroso ao meu lado, uma criança birrenta ou um qualquer animal...felizmente, calhou-me um indiano (a probabilidade era grande já que os indianos e paquistaneses ocupam 80% do bus) simpático e lavadinho. A viagem fez-se tranquila, com uma paisagem fantástica da Pensylvania e o Karate Kid 3 nos ecrãs (FYI o Karate Kid 3 é sobre um puto americano em Pequim que aprende Kung Fu - mesmo à americano bronco..para os gajos é arte marcial, deve ser karaté. Género é português, deve ser de Madrid...such as I personally believe such as and like euh. Uns génios evidentemente). As cataratas são realmente espectaculares, o hotel onde ficámos - em Rochester - foi muito simpático. No dia seguinte, visitámos 1000 Islands que também recomendo, sobretudo em havendo possibilidade de comprar uma das ilhas e montar lá uma casa. Senão, dar uma voltinha numa de voyeur também não é mau de todo. Voltámos para NYC muito confortáveis e correu tudo optimamente.
Apenas um pormenor, a Leonor e as 4 espanholas foram colocadas num outro autocarro que, por força do seu guia criativo, achou por bem inverter os passeios. Resultado: comeram pior, ficaram num motel e chegaram a NYC 2 horas depois de nós. Conselho: fujam dos especimens criativos e, como já dizia Lauro Dérmio, apostem nos clássicos.

2 - Woody. Como se recordarão, depois duma performance fugaz mas marcante num filme do Spike Lee (concerto de John Legend), posso dizer que jantei com o Woody Allen. Certo que ele estava a 10 metros de mim (e de mais umas 80 pessoas), que ele nao comeu ou bebeu (ao contrário de mim), que não olhou para mim uma única vez (enquanto que eu devo ter tirado umas 40 fotos com zoom, flash, panoramicas) mas partilhámos o mesmo espaço (deveras, de 40 m2) durante 2 horas, num ambiente cool jazz. Por isso tudo, e sei que vocês concordarão, concedo ao Woody Allen o privilégio de dizer que jantou com Malva, Malvie, Paulo, Pablo, Pal e até com Hugo. Até porque eu agora trato-o por Woody e percebo que o gajo queira quebrar o gelo. Foi incrível, para ele evidentemente. E para mim também foi simpático. Woody, quando vieres a Lisboa, dá uma apitadela que ficas lá no sofá.

3 - Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para os desinformados que lêem o meu blog, fiquem sabendo que com uma campanha diplomática fantástica, Portugal foi eleito membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para os próximos dois anos. Para os amigos que lêem o meu blog, desnecessário será dizer o papel decisivo que tive nessa eleição. Foi um dia único, com o contacto mais directo e puro com a diplomacia mundial e, no final, uma vitória histórica para Portugal. Como dizia um diplomata de cá na véspera "à partida, é mais dificil sermos eleitos do que Portugal ganhar um Campeonato do Mundo.". Pois fomos campeões do mundo a jogar com menos jogadores! Fantástico. O Zé (o Socrátes para vocês) já me ligou a agradecer, mas estava na casa de banho. Note to self: devolver a chamada, até porque é chato ficar pendurado.

4 - Madison Square Garden, domingo. NYKnicks vs. Washington Wizards. Devidamente equipado com o presente de anos dos meus amigos (Knicks shirt with "Malva" written on the back), apresentámo-nos para um espectáculo de dança, música, cheerleaders, emoçao, divertimento e...um pouco de basket. O que eu achava que era próprio do Us Open resulta ser um hábito de todos os eventos desportivos nos USA. No basket é pior (ou melhor, depende da perspectiva) porque não há a regra do silêncio do ténis. O jogo acontece e a música não pára, há uma criança de 10 anos a cantar o hino no inicio de cada jogo, oferecem meias e bonés (dá imenso jeito um boné a meio do jogo, até porque tudo se passa num pavilhão. A certa altura, confesso que até pensei "merda esqueci-me do boné, óculos escuros e protector"), cantam e dançam! FYI: nós aparecemos nos ecrãs do estádio!!! TWICE!!! (é nisto que vejo que estou a ficar new yorker - fico genuinamente contente por aparecer a fazer figuras de urso num ecrã do Madison Square Garden). Mais uma experiência única, esperam-me os NY Rangers e o seu hockey no gelo.

As fotos dos vários eventos estão disponíveis no facebook, para qualquer dúvida, sugestão ou reclamação, por favor contactem o Woody: w.allen@paulomalvaisthebest.com

Beijos e Abraços!

Eu (continua a ser o mais seguro)

sábado, 2 de outubro de 2010

Só um pequeno Skyline

Part IV

Pessoal, antes de mais nada as minhas desculpas pelo atraso no post. A ideia é pôr um por semana, mas com semana ministerial nas Nações Unidas - que implicou trabalho no sábado passado - ainda não tinha tido tempo para me dedicar a sério ao blog.

Aqui vão mais umas pequenas historietas de NYC:
  1. Para se perceber bem o porquê do ódio dos New Yorkers a New Jersey é passar pela MTV e ver um pouco dum dos programas com mais sucesso "Jersey Shore". Jersey Shore é sobre um grupo de homens e mulheres - todos guidos, as in descendentes de italianos -, entre os 20 e os 30, vivendo juntos e o relato das suas aventuras. De facto, é um Big Brother dos porkitos e badalhocos. Se fosse em Portugal, chamar-se-ia "Almada Power". As gajas, com silicone dos cabelos aos pés, são do mais profundo e intelectual que se viu - recorrente uso do "Oh my GOOD" e do "like euh, You know" - e os gajos vivem segundo um lema que - apesar de não ser - podia ser budista: GTL (Gym, Tan and Laundry). De entre os homes, há um que merece especial atenção: Mike "The Situation". Situation é uma Maravilha. Culto, interessante e cativante foi o criador da frase "t-shirt time!" (eles mal chegam a casa tiram as t-shirts, tipo ritual. Os japoneses tiram os sapatos, eles a t-shirt) e também de "i'm gonna smash tonight". Neste meu estado de new yorker transitório, odeio transitoriamente New Jersey.
  2. Continuando nas experiências marcantes, deixem-me falar-vos um pouco da saída de ontem à noite. Fomos jantar a Greenwich e depois seguimos para o Hudson Terrace, disco num rooftop, na qual teriamos o nosso nome em guest list. Apanhámos o metro e seguimos para o West Side, na 46 com a 12.ª Av, ou seja mesmo em cima do Hudson River. Tudo corria normalmente até comerçarmos a andar em direcção ao Terrace. Parecia que tinhamos em entrado numa realidade parelala. Acontece que do outro lado da rua do Terrace, situa-se o Pacha NY. Ora, o Pacha NY (entrada VIP é a entrada das Pachitas) é o festival dos bimbos daqui. Provavelmente porque apenas o rio Hudson nos separava de Jersey, a verdade é que vimos, entre dois camiões TIR, uma jovem rapariga soltando um jacto de xixi, em posição animal, para cima dos seus próprios pés. Gente educada pensei, prefere deixar o líquido em casa, as in nos seus pés, a sujar a rua de todos. Talvez tenha sido injusto com os Jersey....Não, não fui. São a margem Sul cá do sitio. Olhamos para o nosso Terrace e acontece que TODA a gente está na guess list. Solução: falámos com dois putos - promoters - cujo trabalho é trazer pessoal para os clubs. Estranhos a toda esta situação de promoters - que nos fizeram mudar de fila, mostrar 2x os ID's - chegámos a temer por um dos nossos rins. Finalmente, a coisa compôs-se e lá entrámos para a zona VIP do sítio. Nota: os mix's do DJ eram tão melhores quanto o número de músicas que ele misturava. Meio esquisito, posso ter assistido ao nascimento de um novo estilo musical: o Desconexo.
  3. John Legend...inesquecível. Num espaço brutal, pequeno mas cosy e onde nunca te sentes claustrofóbico, o concerto foi absolutamente fantástico. Os Roots em grande, o John é o maior e ainda tivemos direito a special guests...Jennifer Hudson foi a presença mais notada! Para acabar em grande, o concerto foi filmado pelo Spike Lee, que passou a 2 metros de mim. Quando arranjar o filme do concerto vou ver frame a frame - talvez possa juntar ao CV "special appearance in a Spike Lee movie" ;)
  4. David Duchovny a 2 metros, passeando com o filho. Vi a minha primeira Holywood star ao vivo e a cores, em ambiente relaxado e descontraído. Check!
  5. Na semana passada, fomos à abertura do ano lectivo na Julliard - escola de artes em NYC ao lado do Licoln Centre. Bilhetes grátis, sala cheia e simplesmente o melhor concerto de Jazz que alguma vez vi na minha vida. Todos eles professores na escola, puseram a plateia de pé. Só mesmo em NYC.
  6. Thanksgiving, este ano, será em Inglaterra. Can't wait!
Agenda: próximo fim de semana - 2 day trip até Niagara Falls, segunda dia 11 - Woody Allen a tocar no Carslyle Hotel, domingo dia 17 - New York Knicks vs Washington Wizards.

Abraços e Beijos com Saudades!

Eu (ontem também fui chamado Paul. E também já fui chamado Päl. A contagem continua)

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

E o grupo do brunch de domingo (menos o Gabriel):

A Missão:




O Paulo:

O Pablo:

Part III

Meus queridos,
Depois duma semana rica em encontros e conhecimentos, hoje, em vez de pequenos momentos nova-iorquinos, vou-vos brindar (ou torturar, depende da perspectiva), com um misto de momentos e personagens.
Comecemos então:
1.       Gabriel, o Pensador. Oriundo do Gabão, 1,75m de altura, aproximadamente 70kg, Gabriel do Gabão (ou como ele próprio assina “Gabriel du Gabon”) será, provavelmente, a pessoa mais feliz que alguma vez encontrei. Um simples “olá” e o rapaz perde-se de riso. Apenas subsiste um problema na relação de Gabriel du Gabon com o mundo. Não comunicando noutra língua que não em “français du Gabon”, Gabriel du Gabon ri-se automaticamente quando alguém lhe fala em inglês, tornando hercúlea a tarefa do interlocutor. Ri-se de mim? Ri-se do que eu disse? Ri-se de nervos? Ou ri-se porque sim? Rindo-se por tudo e por nada, pensei apresentá-lo a Joost, o belga amigo do Jorge, que descrevi como “público fácil”. Não o fiz por medo que se matassem um outro de tanto rir, criando assim um conflito internacional sem precedentes.
2.       David, o Stressado. David é sueco. David é louro. David é organizado. Mas David será também das pessoas mais nervosas e stressadas que encontrei. Domingo, brunch em Brooklyn, 9 pessoas relaxadas à mesa, boa música, dia solarengo e eggs benedict no prato. A meio do brunch, começa a ajeitar os óculos repetidamente. Mais para o fim, mexe-se e remexe-se na cadeira. Na caminhada para o metro, insiste em andar num passo apressado, 10 metros à frente do resto do grupo. “Um natural born leader” pensei. Erro. Aparentemente é um “natural born stressed”. Acontece que estávamos “seven minutes” atrasados para ir a um museu, que estava aberto mais 5 horas. Imagino o bicho a chegar de véspera ao aeroporto para um voo no dia seguinte, a confirmar 27 vezes uma reserva. Acho que sete minutos em Lisboa, com tugas, e o David tem um AVC.
3.       Por falar no museu, apenas um pequeno à parte: entrando na loja do museu, deparamo-nos com uma parede cheia de fitas – do género daquelas brazucas para pôr no pulso – penduradas e com frases inscritas. Lê-las foi dos momentos mais cómico-trágicos que tive. Senão reparem: pego na primeira que diz “I wish I was a baseball player” – normal, pensei. (Mais um) Erro. Olhando para a segunda, deparo-me com a seguinte frase “I wish I had the courage to divorce my husband”. A sério. Fónix, se tens coragem para andar com essa pulseira pela casa, acho que a coisa está mais ou menos feita. A não ser que sejas casada com um cego e aí é pura maldade. Mas mais…desde um “I wish it was benign”, passando por um “I wish my parents were happy”, a pulseira é um adereço ideal para quem está deprimido com a vida. E o melhor: há em todas as cores para te poderes arranjar enquanto, por exemplo, mandas o marido à merda (pardon my french).
4.       “Bob” (não me lembro do nome dele, mas parecia um Jamaicano pedrado), o Cable Guy. Bob é um funcionário da TimeWarner (TV Cabo cá do sítio) que veio no sábado lá a casa para ligar a Tv e a net. Porém Bob não percebe nada de net. Bob mal sabe o que é um modem. O que Bob quer é conversa…desde ficar a olhar, impávido e sereno, para o ecrã da Tv que insistia no estado de “not connected” (apostaria tranquilo em cerca de 2,30 minutos em silêncio e sem movimento a olhar para o ecrã), a começar a ver as notícias da manhã em vez de trabalhar, repetindo 20 vezes “man, I haven’t had my breakfast yet!”, foi uma maravilha. Lembrou-me Portugal e obrigado por isso.
5.       Pequeno incidente: na semana passada, ao sair da banheira lá de casa, consegui a proeza de escorregar no chão. Derivado a querer manter a cara intacta, agarrei-me ao lavatório, o qual, feliz com a minha pega, me acompanhou até ao chão, descolando-se assim da parede. Resultado: cara intacta, lavatório novo. Esta semana, vou tentar partir a banheira e na semana que vem dedico-me ao frigorífico.
6.       Último apontamento, depois de Paulo e Pablo, fui chamado Pedro e, anteontem, Hugo. Face ao ritmo imposto pelas pessoas, acabei de estabelecer um objectivo: ser chamado por 20 nomes diferentes até me ir embora. So far so good.
Planos em curso: depois da final do US Open (adiada por causa da chuva, mas grande jogo de Nadal), é o seguinte o programa de festas: John Legend & the Roots (próxima 5.ª feira), Woody Allen no Carslyle Hotel, New York Film Festival, NYKnicks vs. Wizards, Dave Matthews Band featuring John Butler Trio.  
Muitos Beijos e Abraços!
Eu (é, neste momento, mais seguro que qualquer nome próprio)
Ps: já tenho a máquina, ainda hoje vou meter fotos aqui!

sábado, 11 de setembro de 2010

Part II

A pedido de muitas famílias, alguns solteiros, umas gajas e dois cães, acedi ao pedido de criar um blog por onde passaremos a comunicar.

Parece que passaram meses desde a última vez que vos escrevi. Como disse, o tempo aqui passa de forma diferente. Ou talvez sejamos nós que o aproveitemos mais. A verdade é que sinto que já cá estou há muito. Os meus novos amigos parecem amigos com quem já partilhei muito e a cidade já parece ter um ritmo normal. Por isso, minha gente, considerem fortemente a possibilidade de eu chegar a Portugal completamente speedado e com um ritmo alucinante.

Feito o intróito, passemos então a mais umas quantas historietas que marcaram os meus mais recentes dias:

1ª Historieta: Conhecemos o Yusuf, aka Joe. Estava eu a voltar a casa, abrindo o portão que dá para um páteo, onde se encontra a porta de casa e apresenta-se um homem, 40 e poucos, alourado e olho claro que se vira e pergunta:"are you Pálo?". Ao que respondi, educadamente, "Of crosse". Derivado à minha resposta, o fulano apresentou-se dizendo ser o Joe. Pois bem, ao contrário de todas as expectativas iniciais, o Joe parece mais um sueco que o taliban. Consta que é albanês. Pensei perguntar-lhe o porquê de não usar o Yusuf, mas reconsiderei pois poderia muito bem estar a abusar da sorte..

2ª Historieta: sábado passado fui convidado, muito simpaticamente, para um almoço de Tugas emigrados nos states. Maravilha. Desde logo, aquela sensação de Tugaville, o gel no cavelo do rapazes género "Tin Tin meets Cristiano Ronaldo", o facto da senhora mais alta medir 1,45 cm...gente simpática,já falando uma mescla linguística com a ocasional introdução de um "you know" ou um "like humm" no meio de um "adoro mesmo é um bacalhau à brás,you know, like aquele que a minha avó fazia". No meio do pessoal, uma personagem chamou-nos a atenção. Emigrada há 3 anos, cerca de 30 e poucos anos, top rosa justo e calças baixas, sentou-se na nossa mesa. Nortenha, disse que estava um pouco farta de NY (continuo sem perceber...) e confessou-nos que o que mais queria era encontrar polvo em NY, de modos a poder fazer arroz de polvo. Portanto, aos leitores, quem souber de um polvo perdido em NY, é favor ligar. A dona procura-o com desespero.

3ª Historieta: US OPEN. Quem quer saber o que são os USA e os americanos, é passar um dia no US OPEN. Espectáculo, emoção, luz, música, acção e COMER; BEBER, COMER, BEBER e...vá...COMER. Nunca na minha vida tinha visto tal coisa. Não só comem - MUITO - antes de entrar no court, como, a cada pequeno intervalo - garanto que vi pessoas sair entre o primeiro serviço falhado e o segundo serviço (para quem não sabe, equivale a um cagagésimo de segundo) - uma manada sai das bancadas, dirigindo-se com fúria e satisfação para os bares situados debaixo das bancadas. Enquanto essa manada se enfarda e enfarta, o restante povo que ainda não acabou de comer o que tinha ido buscado antes, grita, canta e dança - e é mesmo toda a gente, dos 8 aos 80 - para receber um boné grátis (ainda que o jogo fosse de noite...Note to self: o americano, as long as it's free, faz. O que for. Tudo. Just do it.). A manada reabastecida regressa 4 jogos depois aos seus lugares e os papéis invertem-se. E depois há o ténis...uma infima parte da experiência que é partilhar uma bancada de um expectáculo com esta gente. Mas são felizes. Gordos, com bolhas de gordura no sangue, mas felizes.Só por causa das tosses, volto lá amanhã para a final Nadal vs Djokovic. hipótese de Nadal completar o Grand Slam, penso eu. hipótese de limpar mas 12 hot dogs, 15 burguers, 18 tacos e 27 pepsis pensa o americano que ficará sentado ao meu lado.

4ª Historieta: no meio disto, também comecei a trabalhar. Pessoal impecável, tem sido bastante engraçado estar na sala da Assembleia Geral da ONU a representar Portugal. Já fui a uma sessão sobre terrorismo e uma sobre não proliferação de armas nucleares com painéis de especialistas à séria. Ao que interessa: quando o orador fala temos tradução imediata de um interprete para uma das línguas oficiais da ONU. Pensei, fixolas, isto vai ser fácil. Coloco o auricular e ouço tudo em inglês. Problema: há estrangeirada que prefere o esforço de falar inglês, a falar a sua própria língua. Resultado: não existindo tradução do mau inglês para o bom inglês, sucedem-se os momentos de grande tensão. Desde logo porque o cidadão coreano, ainda que capaz de pronunciar um "r" a meio de uma palavra, é fisicamente incapaz de o fazer no principio de uma - ouvi esta frase "to laise the issue of lansom lesponsibility". Por isso, faço um apelo: falem as vossas línguas gente, de maneiras a facilitar a vida aos demais!

5ª Historieta: na noite nova-iorquina sou agora conhecido como "Pablo". Tudo começou com um bartender irlandês com quem nos damos bem e que passados uns largos minutos a falar connosco e de nos ter perguntado os nomes, acertou em quase todos mas acho por bem desvirtuar o "Paulo" para "Pablo". Desde então, a partir das 21h, toda a gente me chama "Pablo". Contingências....

Muitas Saudades e Beijos para todas e Abraços para todos!

Pablo   

First Impressions - Part I

Pois é, cá estou na 240 Mercer Street, chez Jorge Martins, living as a New Yorker.


Estes primeiros dias têm sido de loucos, numa rotação constante e sem pausas ou tréguas - exactamente como queria que fossem!

Para não ser chato, vou estruturar o mail com base em pequenos momentos marcantes so far:

1.º Momento: Cheguei na segunda, depois de uma viagem simpática, sem grandes stresses ou turbulência (deu até para ver o Iron Man 2 - gosto do Robert Downey Jr, mas que filme tão pobrezito para quem há menos de um mês viu o Segredo dos teus Olhos...) e vim directo ter com o Jorge.

Apanhei um taxista que olhou para mim e - vá se lá saber porquê, pois eu não tinha ainda começado a dissertar - começou directo a falar comigo em francês (diz que era senegalês), altura na qual dei graças aos meus pais por me terem posto no liceu francês, sob pena de estar neste momento a escrever-vos não do apartamento do Jorge, mas antes da Carolina do Sul.

2.º Momento: O impacto da entrada na cidade debaixo dum bafo monstro (uns 36.º, sem vento). Incrível como te sentes literalmente a ser engolido pelos arranha céus. O taxi passava o "Empire State of Mind", versão acústica da Alicia Keys.

3.º Momento: Fui comprar um cartão para o telemóvel. Atendeu-me uma rapariga afável, que se mostrou espantada com o meu telefone: "I didn't know that Apple made such cell phones" ao que respondi "they don't, this one was made just for me." Ridiculo eu sei, mas não ia explicar que o que ela tinha na mão era um telemóvel oriundo de Chinatown, totalmente quitado e ilegal. Obrigado Malva. O meu n.º, by the way e para os que ainda não o possuem, é o 00 1 347 839 66 86.

4.º Momento: a organização da NYU. Os gajos têm cartões de aluno que fazem tudo. Passas numa máquina e sai uma folha personalizada com os livros que tens de comprar para cada semestre. Os cartões de aluno deles é tipo as nossas pulseiras power balance - equilibram, dão-te força e resistência.

5.º Momento: não sei porque carga de água (ou se calhar é da própria água) eu e o Jorge não conseguimos ir dar passeios de menos de 9 km. No primeiro dia, já nos doíam os gémeos. Espantados com a nossa performance e sem compreender a razão que nos puxava, o certo é que a conversa fluía e emagrecemos 3 kg cada um. Ontem, depois de um dia a andar de um lado para o outro a ver casas (vide ponto seguinte), decidimos, cito, "ir comer qualquer coisa". Acabámos esfomeados depois de um passeio que nos levou da NYU até Times Square. Para quem não sabe, é longe pa caraças. Hoje, naturalmente, estou que nem posso. O Jorge foi correr com um amigo belga (gajo bacano, público muito fácil - ainda não acabei a piadola e já o gajo se ri abundantemente. Gosto, dá confiança a uma pessoa) e imagino que já estará neste momento a caminho do hospital a oxigénio. Já lá vou ter com ele. Quando acabar o post, naturalmente.

6.º Momento: a busca de casa na craigslist (mega site de anúncios). A ideia inicial era ir viver sozinho. Problema: o bom é estupidamente caro e o barato é estupidamente mau. Solução: concentrar sinergias com a Raquel Sampaio e tentar encontrar alguma coisa melhor. Dito e Feito! Habemus Casa! Dois quartos, uma wc, sala e kitchnette, preço óptimo, Upper East side: a morada é 516, East 78th Str, Apart 4H 10075 NYC, para quem quiser aparecer e/ou ver no google Maps. O prédio é lindo, ao lado dum parque e dumas piscinas e colado ao East River. Temos todas as utilities incluídas no preço e temos a nossa própria máquina de lavar e secar roupa, o que é raro por aqui. A zona é Sex & the City puro. Sinto-me o Mr Big. As mudanças estão agendadas para amanhã. Não podiamos ter tido mais sorte...Pormenor: o senhorio - que ainda não conhecemos - mora por cima de nós e chama-se Yusuf, mas segundo o broker "everybody calls him Joe"...esquisito no mínimo...já dizia o Jerry Seinfeld que o melhor é ser vizinho de um serial killer pois os vizinhos nunca são mortos e vêm sempre dizer "é estranho, ele era tão simpático". Pode ser que se aplique a mesma teoria.

7.º Momento: o tempo é diferente em NYC. Estou cá há dois dias e meio e sinto que já tenho memórias para ocuparem um mês. Por este andar, quando sair daqui, vou sentir que tenho 40 anos. Um pouco mais velho que tu Alex.


MUITOS BEIJOS E ABRAÇOS com saudades desde o momento 0!