sábado, 11 de setembro de 2010

Part II

A pedido de muitas famílias, alguns solteiros, umas gajas e dois cães, acedi ao pedido de criar um blog por onde passaremos a comunicar.

Parece que passaram meses desde a última vez que vos escrevi. Como disse, o tempo aqui passa de forma diferente. Ou talvez sejamos nós que o aproveitemos mais. A verdade é que sinto que já cá estou há muito. Os meus novos amigos parecem amigos com quem já partilhei muito e a cidade já parece ter um ritmo normal. Por isso, minha gente, considerem fortemente a possibilidade de eu chegar a Portugal completamente speedado e com um ritmo alucinante.

Feito o intróito, passemos então a mais umas quantas historietas que marcaram os meus mais recentes dias:

1ª Historieta: Conhecemos o Yusuf, aka Joe. Estava eu a voltar a casa, abrindo o portão que dá para um páteo, onde se encontra a porta de casa e apresenta-se um homem, 40 e poucos, alourado e olho claro que se vira e pergunta:"are you Pálo?". Ao que respondi, educadamente, "Of crosse". Derivado à minha resposta, o fulano apresentou-se dizendo ser o Joe. Pois bem, ao contrário de todas as expectativas iniciais, o Joe parece mais um sueco que o taliban. Consta que é albanês. Pensei perguntar-lhe o porquê de não usar o Yusuf, mas reconsiderei pois poderia muito bem estar a abusar da sorte..

2ª Historieta: sábado passado fui convidado, muito simpaticamente, para um almoço de Tugas emigrados nos states. Maravilha. Desde logo, aquela sensação de Tugaville, o gel no cavelo do rapazes género "Tin Tin meets Cristiano Ronaldo", o facto da senhora mais alta medir 1,45 cm...gente simpática,já falando uma mescla linguística com a ocasional introdução de um "you know" ou um "like humm" no meio de um "adoro mesmo é um bacalhau à brás,you know, like aquele que a minha avó fazia". No meio do pessoal, uma personagem chamou-nos a atenção. Emigrada há 3 anos, cerca de 30 e poucos anos, top rosa justo e calças baixas, sentou-se na nossa mesa. Nortenha, disse que estava um pouco farta de NY (continuo sem perceber...) e confessou-nos que o que mais queria era encontrar polvo em NY, de modos a poder fazer arroz de polvo. Portanto, aos leitores, quem souber de um polvo perdido em NY, é favor ligar. A dona procura-o com desespero.

3ª Historieta: US OPEN. Quem quer saber o que são os USA e os americanos, é passar um dia no US OPEN. Espectáculo, emoção, luz, música, acção e COMER; BEBER, COMER, BEBER e...vá...COMER. Nunca na minha vida tinha visto tal coisa. Não só comem - MUITO - antes de entrar no court, como, a cada pequeno intervalo - garanto que vi pessoas sair entre o primeiro serviço falhado e o segundo serviço (para quem não sabe, equivale a um cagagésimo de segundo) - uma manada sai das bancadas, dirigindo-se com fúria e satisfação para os bares situados debaixo das bancadas. Enquanto essa manada se enfarda e enfarta, o restante povo que ainda não acabou de comer o que tinha ido buscado antes, grita, canta e dança - e é mesmo toda a gente, dos 8 aos 80 - para receber um boné grátis (ainda que o jogo fosse de noite...Note to self: o americano, as long as it's free, faz. O que for. Tudo. Just do it.). A manada reabastecida regressa 4 jogos depois aos seus lugares e os papéis invertem-se. E depois há o ténis...uma infima parte da experiência que é partilhar uma bancada de um expectáculo com esta gente. Mas são felizes. Gordos, com bolhas de gordura no sangue, mas felizes.Só por causa das tosses, volto lá amanhã para a final Nadal vs Djokovic. hipótese de Nadal completar o Grand Slam, penso eu. hipótese de limpar mas 12 hot dogs, 15 burguers, 18 tacos e 27 pepsis pensa o americano que ficará sentado ao meu lado.

4ª Historieta: no meio disto, também comecei a trabalhar. Pessoal impecável, tem sido bastante engraçado estar na sala da Assembleia Geral da ONU a representar Portugal. Já fui a uma sessão sobre terrorismo e uma sobre não proliferação de armas nucleares com painéis de especialistas à séria. Ao que interessa: quando o orador fala temos tradução imediata de um interprete para uma das línguas oficiais da ONU. Pensei, fixolas, isto vai ser fácil. Coloco o auricular e ouço tudo em inglês. Problema: há estrangeirada que prefere o esforço de falar inglês, a falar a sua própria língua. Resultado: não existindo tradução do mau inglês para o bom inglês, sucedem-se os momentos de grande tensão. Desde logo porque o cidadão coreano, ainda que capaz de pronunciar um "r" a meio de uma palavra, é fisicamente incapaz de o fazer no principio de uma - ouvi esta frase "to laise the issue of lansom lesponsibility". Por isso, faço um apelo: falem as vossas línguas gente, de maneiras a facilitar a vida aos demais!

5ª Historieta: na noite nova-iorquina sou agora conhecido como "Pablo". Tudo começou com um bartender irlandês com quem nos damos bem e que passados uns largos minutos a falar connosco e de nos ter perguntado os nomes, acertou em quase todos mas acho por bem desvirtuar o "Paulo" para "Pablo". Desde então, a partir das 21h, toda a gente me chama "Pablo". Contingências....

Muitas Saudades e Beijos para todas e Abraços para todos!

Pablo   

3 comentários:

  1. What a life,man!eu sei que me esforçei e aperfeiçoei para tu saires quase perfeito! Mas assim,ainda bem!! que "ganda vidassa". Não sei se vou conseguir compreender o teu Americano/LusoInglês. Goza muito que estás na idade perfeita.
    Nós por cá, tudo bem, nesta pasmaceira. Ciao Pablo, by now and see you soon!!!!!!!!!

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  2. Inveja meu caro, inveja................. Aproveita!

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  3. cà eatamos, o teu pai e eu,fomos almoçar sopinha e falar dos nossos queridos filhos...dos quais estamos ambos babados..beijinho Tia

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